segunda-feira, 25 de junho de 2018

Quem te ouve?



Quando a gente se tranca no nosso mundo, precisando de uma força, e às vezes sem força nem para pedir, é muito bom receber aquela mensagem que diz: calma, vai passar!
Mas, o que muda tudo é a que diz: Calma! Tô passando ai.
Faz toda diferença poder contar com alguém que entra no universo da nossa solidão, que ignora aquela placa que diz " fechado para visitação" e abre a porta, fecha as janelas do computador e parece que te puxa, e te traz de volta para a vida real.
Isso muda a tua realidade.
Alguém que troque "likes" por sinceridade, e que te faz trocar aqueles cinco mil "amigos" do facebook por uma boa amizade.
Este não está só te seguindo.
Está te acompanhando, está junto.
É como dizer: olha, se você está perdido, eu também estou!
Mas, às vezes, a pergunta não é "para onde".
É com quem.
Quando a gente está lado a lado, fica fácil perceber a diferença entre receber um coração e ser amado.
Entre os que estão "on-line" e quem está conectado.
Sinceramente, eu nunca entendi muito o conceito da tal empatia até perceber que, na prática, a amizade real não precisa de muita teoria.
Às vezes basta servir de companhia. 
Em silêncio mesmo. 
Porque é aquele silêncio que não te deixa no vácuo. 
Te deixa à vontade. 
Não significa que  acabou a bateria.
Significa que você recebeu a mensagem.
Às vezes,  melhor do que dar uma resposta, é dar ouvidos.
Você não sabe o que falar? Tranquilo.
Porque a tua presença, já vai ter respondido.


Allan Dias Castro

segunda-feira, 15 de maio de 2017

Eu sei, mas não devia



Eu sei que a gente se acostuma. Mas não devia.

A gente se acostuma a morar em apartamentos de fundos e a não ter outra vista que não as janelas ao redor. E, porque não tem vista, logo se acostuma a não olhar para fora. E, porque não olha para fora, logo se acostuma a não abrir de todo as cortinas. E, porque não abre as cortinas, logo se acostuma a acender mais cedo a luz. E, à medida que se acostuma, esquece o sol, esquece o ar, esquece a amplidão.

A gente se acostuma a acordar de manhã sobressaltado porque está na hora. A tomar o café correndo porque está atrasado. A ler o jornal no ônibus porque não pode perder o tempo da viagem. A comer sanduíche porque não dá para almoçar. A sair do trabalho porque já é noite. A cochilar no ônibus porque está cansado. A deitar cedo e dormir pesado sem ter vivido o dia.

A gente se acostuma a abrir o jornal e a ler sobre a guerra. E, aceitando a guerra, aceita os mortos e que haja números para os mortos. E, aceitando os números, aceita não acreditar nas negociações de paz. E, não acreditando nas negociações de paz, aceita ler todo dia da guerra, dos números, da longa duração.

A gente se acostuma a esperar o dia inteiro e ouvir no telefone: hoje não posso ir. A sorrir para as pessoas sem receber um sorriso de volta. A ser ignorado quando precisava tanto ser visto. 

A gente se acostuma a pagar por tudo o que deseja e o de que necessita. E a lutar para ganhar o dinheiro com que pagar. E a ganhar menos do que precisa. E a fazer fila para pagar. E a pagar mais do que as coisas valem. E a saber que cada vez pagar mais. E a procurar mais trabalho, para ganhar mais dinheiro, para ter com que pagar nas filas em que se cobra.

A gente se acostuma a andar na rua e ver cartazes. A abrir as revistas e ver anúncios. A ligar a televisão e assistir a comerciais. A ir ao cinema e engolir publicidade. A ser instigado, conduzido, desnorteado, lançado na infindável catarata dos produtos.

A gente se acostuma à poluição. Às salas fechadas de ar condicionado e cheiro de cigarro. À luz artificial de ligeiro tremor. Ao choque que os olhos levam na luz natural. Às bactérias da água potável. À contaminação da água do mar. À lenta morte dos rios. Se acostuma a não ouvir passarinho, a não ter galo de madrugada, a temer a hidrofobia dos cães, a não colher fruta no pé, a não ter sequer uma planta.

A gente se acostuma a coisas demais, para não sofrer. Em doses pequenas, tentando não perceber, vai afastando uma dor aqui, um ressentimento ali, uma revolta acolá. Se o cinema está cheio, a gente senta na primeira fila e torce um pouco o pescoço. Se a praia está contaminada, a gente molha só os pés e sua no resto do corpo. Se o trabalho está duro, a gente se consola pensando no fim de semana. E se no fim de semana não há muito o que fazer a gente vai dormir cedo e ainda fica satisfeito porque tem sempre sono atrasado.

A gente se acostuma para não se ralar na aspereza, para preservar a pele. Se acostuma para evitar feridas, sangramentos, para esquivar-se de faca e baioneta, para poupar o peito. A gente se acostuma para poupar a vida. Que aos poucos se gasta, e que, gasta de tanto acostumar, se perde de si mesma.

Marina Colasanti (1972)

segunda-feira, 3 de abril de 2017

E se ele é de libra?



Ele não sabe se vai ou se fica, mas fala com você como se tivesse o poder de mexer com tudo la dentro, como se seus órgãos pudessem responder por si só. 

Ele sabe como agradar, servir um jantar e  não vai entender nada sobre o tal quadro bizarro na parede da galeria, muito menos porque ciano não pode ser somente chamado de azul, mas vai sorrir e acreditar em você. Vai te olhar calmo e desviar os olhos, segurar as suas mãos e você vai perguntar o que foi. Só pra ouvir: nada, estou só te olhando. 

Tem coisas que só fazem sentido pra libra, coisas que se a gente fosse colocar numa balança penderiam mais prum lado do que pra outro. No cinema a escolha é sua. No restaurante também. E você se irrita, talvez porque você queira que ele tome as decisões certas na vida e ele não toma, não sabe o quer, quer o mundo e quer você, mas será que dá pra ter tudo isso? Ele não sabe. No fundo, ele é só um menino perdido no meio de um monte de coisa.

Por mais que ele seja galante, por mais que você ouça os horóscopos extrapolarem por aí a fama de conquistador, ele não gosta muito de múltiplos amores. O que ele busca é um ninho, Se for você, o mundo dele tá completo e não tem nada fora de casa que não faça ele voltar. Vai ser você e ponto.

Ele é de libra quando bota uma playlist pra tocar e joga você na cama só pra ficar juntinho, quando te puxa pra dançar de pés descalços, quando te pergunta se você pode ir com ele descobrir o mundo. Ele é de libra até quando deixa o signo de lado pra ser só seu.

Num fim de tarde


E se, num fim de tarde qualquer, abrigados sob o mesmo cobertor, tivermos certeza?

Certeza de que, independentemente do que aconteça, valerá a pena. Certeza de que todos os nossos preciosos momentos serão somados na carga horária dos nossos sentimentos, como valiosos passos para a construção dos nossos sonhos. Certeza de que a cada dia vivido, compreenderemos mais os anseios um do outro, até que os nossos olhares respondam por nós e os nossos sorrisos sejam como pontos finais a encerrarem os nossos diálogos.

Certeza da importância das quedas como sinal de contínuo aprendizado e dos braços sempre estendidos, prontos para sempre amparar, sempre proteger. Certeza de que, ainda que vivêssemos debaixo do mesmo teto, saberemos entender que o espaço que necessitamos e que nos caracteriza como indivíduos, deve ser o mesmo que não nos deixa dormir sozinhos quando a noite vem. Certeza de que há amor em cada uma das entrelinhas que compõem a nossa nova vida e que – um dia de cada vez – seguiremos vivendo a mais bela história, até então jamais escrita.

Particularmente, tenho algumas pequenas certezas. Certeza de que quero acordar todos os dias, para dizer que te amo, para te dizer que espero eternamente o teu abraço e o teu sorriso mais sincero. Certeza que quero um pouco mais de tempo, para te dizer com calma, que as palavras que saem da tua boca, são as mesmas que tocam a minha alma. Certeza que quero um pouco mais de fôlego, para partilharmos beijos intermináveis, elevando nossa troca de energias a valores humanamente incalculáveis. Certeza que quero um pouco mais de ti, para te mostrar que estou completamente imersa, neste amor completamente nosso.

~Nyann


quarta-feira, 15 de março de 2017

Quando nossas mãos se encaixam




Eu sinto que estamos mais próximos do que nunca.

Como jamais estivemos. Nossos corpos nem precisam estar no mesmo espaço, tampouco no mesmo ambiente. Eles apenas coexistem – de um jeito que não tem como explicar, afinal, não há nenhuma forma de traduzir em palavras o que está, enfim, acontecendo.

Sabe aquele tal alinhamento de planetas que só vemos depois de muito, muito tempo? Me sinto dessa forma. Eu sou Júpiter e, você, Saturno. Perceba: posso estar longe, mas quando você passa com esta órbita alucinante, não tem como não sentir a sua presença.

Não dá para ignorar tamanha atração, ainda mais quando ela se dá repentinamente. Por aqui, há um caos disfarçado de calmaria – que esconde um iceberg gigantesco de inúmeros pensamentos arquivados em mim: será que você vai me perceber?

Não vou mentir que, antes de dormir, já imaginei isso tudo acontecendo algumas vezes. Na minha imaginação, em alguns dias era frio, em outros fazia um calor incrível com o céu azul lá fora. Em todas as imagens, existia um ponto em comum: a gente se aproximava.

Finalmente, a gente se enxergava daquele jeito que transcende os corpos e vê muito além do que está ali.

E quando o momento do encontro acontece, parece até que estamos eletrizados. A energia que vem de você mudou. De fato, tudo mudou.


E quando você caminha em minha direção, a vontade que dá é de apressar logo as coisas: pular no seu abraço, te dizer o quanto te adoro e poder aproveitar cada segundo na sua companhia, observando tudo de mais lindo em você.

Mas não vou atropelar nada.

Guardo esta vontade aqui no meu íntimo e espero, porque sei que não vai demorar muito, as coisas acontecerão naturalmente, do jeito que tem que ser. Afinal, agora você já está muito mais perto do que antes.

~Nyann


quarta-feira, 8 de março de 2017

Mas desliga a luz



Um monte de homens se perguntam porque algumas mulheres na intimidade, têm a tendência de se tapar a cara e dizer: "Mas desliga a luz".

Deixe-me responder a essa pergunta.
A maior parte do tempo as mulheres fazem isso, porque se sentem inseguras sobre seu corpo. Como se seu corpo não fosse suficientemente belo! Se cobrem a cara porque não querem ver a reação do homem ao ver o seu corpo completamente nu.

Sobretudo existem homens que as fazem sentir dessa forma, fazendo-as pensar que seu corpo não é o suficiente e lindo, e diminuindo a auto-estima dela, isso é porque os inseguros e egoístas são eles. Da próxima vez que ver uma mulher fazer isto, beija sua boca com carinho sua testa e ao chegar perto de seu ouvido, sussurre que ela tem um corpo espetacular, abrace-a e deixa o sexo para depois.

Primeiro dá a segurança de que seu corpo é lindo e agradece a essa mulher por permitir que acontecesse esse momento. 
Pois na verdade todas as mulheres são belas e saciáveis, porem basta você despertar isso dentro delas com paciência...!

~Nyann


quinta-feira, 26 de novembro de 2015

Paciência


Paciência não é o detalhe que se coloca no vestido e sim o tecido que você escolhe para confecciona-lo. É o amigo invisível, o último comprimido de analgésico no meio da crise de enxaqueca, é o que mesmo sem se ver salva. O essencial, o pedaço de chocolate perdido no recheio do sorvete, a verdadeira aliança que sela a singularidade de um compromisso.

Amar é muito, mas muito mais do que um status, um simbolismo, uma frase bonita. Amar é passar por cima da falha do outro sem esperar nada em troca. A renúncia da certeza. Viajar pelo caminho contrário da natureza humana e se encontrar ali, bem no olho do caos. Ser paciente em um relacionamento não é um luxo, mas sim uma necessidade. É o que divide os meros apaixonados, dos verdadeiramente enamorados.

Respirar fundo durante uma briga, abaixar o nariz para evitar uma discussão, não rebater a resposta atravessada do outro que está em um dia ruim, ser racional nas horas de tormenta é o que consolida a durabilidade de uma parceria. Não dá para ficar o tempo todo por cima na vida, quem dirá no amor.

Antes de embarcar nesse trem guiado por dois é importante se certificar de que todas as certezas estão ficando do lado de fora. A questão toda não é aceitar tudo e qualquer coisa, mas é saber quais brigas valem a pena ser compradas. Quando falta sanidade na rotina do outro, nós, a outra metade, precisamos ser o abrigo. E isso muitas vezes significa sim ficar em silêncio e deixar os raios e trovões apartarem a tempestade. E diferente do que se pensam, não assumimos um papel de submissão, não estamos aceitando migalhas, estamos sendo apenas parceiros. Verdadeiros e reais companheiros.



O maior amor do universo pode solidificar a fundação, mas se faltar paciência a coisa desanda mesmo. Sem dó, nem piedade. Isso engloba não estressar toda vez que ele esquecer a toalha molhada em cima da cama, não fritar quando se ele se some ou não atende o celular, e manter a calma e a compostura quando raiva quiser falar mais alto.

Paciência é o único sentimento capaz de manter o equilíbrio dentro de um relacionamento. O que nós mantém no mesmo patamar de igualdade, quando o ego atrevido tenta subir alguns degraus de escada.
Se a gente cede ao instinto de querer ter sempre a última palavra, no final das contas a decisão acaba sendo nossa mesma: a de ir embora por falta de reciprocidade ou a de ficar até que nenhum dos dois consiga mais olhar dentro dos olhos do outro. É quase impossível algumas vezes, mas saber conversar, respeitar os limites da pessoa que está ao nosso lado, saber discernir o que é um dia ruim e o que é um desvio de comportamento pode ser o diferencial entre quem fica e quem de fato vai embora.

Áries, touro, leão, escorpião, não importa o ascendente. Se toda vez que alguém rugir a gente responder rugindo de volta, o estranhamento deixa de ser um simples descompasso e se torna uma briga de gigantes de proporções épicas. Onde um não quer, dois não brigam, já dizem por aí. Muito melhor manter a razão (e o amor) abstraindo algumas diferenças, do que erguer o chifre por qualquer coisa e instigar a disputa.

Não é questão de anulação, mas sim de saber pelo que gritar. Debater por tudo é um saco e cedo ou tarde desgasta a paixão. Então guardarei a cara feia para um problema sério de verdade.

E com isso eu torço para aguentar você parar de rugir antes de eu começar a falar. Afinal nem tudo são flores, mas podemos com calma florir nosso jardim.