segunda-feira, 17 de agosto de 2015

Perfeito



Era tudo perfeito. Nossos gostos combinavam, nosso beijo se encaixava, as conversas nunca tinham fim. Cada vez mais, eu sentia que éramos feitos um para o outro. Eu não cabia em mim de tanta felicidade.

E o que mais me fazia feliz era ver que você também se sentia assim.Programas básicos, mas que eram meras desculpas para estarmos juntos.

Rua, chuva, fazenda, parque, praia, o que fosse junto com você eu ia. E ia bem feliz.

Depois começou ficar mais sério, mas não menos maravilhoso. Começamos a falar sobre grana, planos de vida, perspectivas. E começamos a pensar em construir uma vida a dois. Mais séria, mais adulta. Aos poucos, as coisas foram tomando forma, as dificuldades aumentaram de grau e intensidade. Mas ainda éramos apaixonados.

As brigas ganhavam mais hostilidade, eram mais contundentes e cada vez por motivos mais tolos, mas mesmo assim ainda éramos apaixonados. Até que chegou um momento que eram mais brigas do que paz, eram mais motivos para separarmos do que ficar por aqui.

Mas ainda éramos apaixonados. E quantas vezes desisti de desistir por conta disso?

Meu humor foi-se deteriorando, minha saúde acabando. E a sua também. Até que um dia terminei. E você, em meio a uma crise louca, me disse que sabia que eu não gostava mais de você. A esta altura, isso nem fazia mais diferença, mas hoje quero contar: eu ainda era apaixonada por você.

Foi tão difícil dar um ponto final, dizer adeus e ainda ouvi-lo pondo em dúvida meu sentimento. Aquele que me corroía por dentro, minhas lágrimas e meus soluços eram incessantes. Eu dirigia chorando enquanto lembrava de seu sorriso, de suas mãos, de seus beijos, de nosso começo de namoro.

Foi então que parei o carro, respirei fundo e me lembrei de mim mesma, de como eu era feliz naquele começo e de como agora eu vi ia sofrendo e pensei: “Ainda sou apaixonada, sim. Mas desisti de você antes que eu tivesse que desistir de mim.”

Ainda sinto saudades, ainda sou apaixonada por você, mas por mais apaixonada que eu seja, não vale a pena sofrer.

Enxuguei as lágrimas, liguei o rádio no último volume e cantei junto cada música o mais alto que pude.


segunda-feira, 3 de agosto de 2015

Acho que acabou


Você me manda uma mensagem às duas da tarde querendo saber se tá tudo bem. E antes de te enviar alguma coisa de volta, eu olho pro celular e me pergunto, duas, três, trinta vezes, se você quer mesmo saber a resposta. Ainda que eu acredite, no fundo, que você sabe tanto quanto eu que não, não tá. Porque a gente sabe que acabou.

A gente sabe que acabou quando evita voltar pra casa depois de um dia inteiro de trabalho. Como é que eu vou te encarar com tudo isso preso na garganta? Então eu chego aos trapos e torço pra me jogar na cama sem você me perguntar como foi meu dia. Porque eu tenho medo do fim de nós dois escapar da ponta da minha língua ou de você, de repente, resolver que já deu. E a gente fica assim, num jogo de gato e rato, fugindo do término que o outro já encontrou. Porque a gente sabe que acabou. A gente só não admite.

Nas segundas, nas terças, principalmente nos domingos. O adeus tá sempre ali, a uma esquina de nós dois, na rua em que a gente faz de tudo pra não virar. E eu sinto que eu fico tentando me agarrar a você como se eu ainda pudesse, de algum jeito, de qualquer jeito, salvar o que a gente tinha. Se eu fizer um pouquinho de esforço, será que volta? Será que a gente se coloca nos eixos?

Fico me perguntando que tipo de casal nós vamos ser? Será que a gente vai se amar o suficiente pra saber ir embora?

E enquanto a gente não vai, a gente tenta fingir pra si e pra todo mundo que continua igual. Mas eles sabem. Os nossos amigos, a minha irmã, o nosso vizinho e o porteiro. Até sua mãe sabe. Eu precisei de um pouquinho mais de tempo do que ela pra reparar que alguma coisa tinha se apagado em você também.

E talvez a gente ainda fique mais um tempo insistindo, porque quem ama sempre insiste, não é? E mais cinquenta mensagens, e mais alguns aniversários, e todo mundo sabendo que alguma coisa mudou, até a gente perceber. Alguns amores acabam e nem por isso deixam de ser amor.