Você tem que entender que eu me eternizo como uma fotografia clássica. É preciso que se tenha atenção aos meus pelos que se arrepiam. Vou desacelerar o tempo enquanto jogo o cabelo pro lado e vou fazer com que você veja o mundo em câmera lenta. E, antes que você queira brincar com a minha lingerie, é preciso brincar com o meu ego. Sabe aquele sorriso meio safado de quem acabou de acordar e ainda não abriu direito os olhos? Eu sei a melhor maneira de faze-lo. Atenção ao despir-me porque já vou logo dizendo: ou você me devora de vez ou eu vou embora. E se não fazer com carinho nunca mais me verá denovo.
Você deve se perder na minha bagunça. Ela é totalmente fora de ordem e gosto desse jeito. Vai dizer que você não se sente bem no caos que eu represento? É que eu gosto de brincar com você sem você se dar conta. Na mais pura inocência. Sorrio timidamente olhando para você usando óculos de grau, mas você já deve saber o que fazer. Quero que você me devore com os olhos, com as mãos e tudo mais.
Você pode encarar minha ousadia. Só não pode querer me tirar do lugar. Não percebe que eu poso querendo que você rabisque cada curva minha como se fosse uma tela em branco? Eu quero ver a sua versão do meu mundo. Você pode tocar meus seios e me tirar um suspiro intenso ao lamber a pontinha deles. Você pode agarrar as minhas costas com firmeza e me tirar uma confissão de que quero mais. Você pode fazer tudo isso, só não pode resistir ao meu jeito de dizer que sou dona de si mesma. E, pra isso, basta encarar os movimentos das minhas pernas. Eu sou ansiosa. Eu tento me antecipar porque vou adivinhando todos os seus movimentos. Eu me antecipo porque tenho uma ingenuidade que só pede para ser devorada aos poucos. Faça-me com que eu feche os olhos de prazer. Não me tire de mim mesma, mas faça com que eu queira sair um pouco de si e ser tua de um jeito um pouco louco e nu.
Você precisa aceitar os meus modos. O jeito despretensioso de quem lê histórias em quadrinhos me revelo uma personalidade baseada nas mais diversas vilãs e mocinhas de todos os tempos. Eu já cansei de heróis, de resgates, dessa coisa toda de menina-mulher que todo mundo conta. Eu quero escrever uma história com você, sem você, por essa noite ou na manhã seguinte. Não importa. Só deixe que eu quebre as regras e o conduza. Vou segurar a sua cabeça e agarrar os seus cabelos com força. Deixar que seja convencional é uma afronta séria às minhas características. Aliás, os meus gostos são constantemente mutáveis. Mais rápido, mais forte, mais áspero, mais intenso e assim por diante. Você percebe isso pelo humor das minhas expressões faciais enquanto durmo ou quando chego ao meu auge. Ou quando levanto e agarro a sua camisa que estava em algum lugar do chão. Não (não) estou atrás do seu cheiro ou algum ritual padrão que toda mulher faz. Eu só quero me sentir confortável com as suas roupas porque hoje eu enjoei das minhas.
Para aqueles que não entendem as regras do jogo eu uso os mesmo argumentos e as mesmas desculpa para minha falta de tempo e interesse. Não adianta ter as mesmas pegadas, não basta pegar na cintura, arrancar as roupas e repetir o mesmo processo, as mesmas histórias e os mesmos quase-orgasmos de sempre. Seja doce, molhado, quente, curioso, astuto e nunca (nunca) recue. Porque eu não sou paciente e me canso rápido. E chega de porquês na história. Vai logo! Devore-me de uma vez. Ou eu vou embora.
Nyann
Nyann

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