quinta-feira, 26 de novembro de 2015

Paciência


Paciência não é o detalhe que se coloca no vestido e sim o tecido que você escolhe para confecciona-lo. É o amigo invisível, o último comprimido de analgésico no meio da crise de enxaqueca, é o que mesmo sem se ver salva. O essencial, o pedaço de chocolate perdido no recheio do sorvete, a verdadeira aliança que sela a singularidade de um compromisso.

Amar é muito, mas muito mais do que um status, um simbolismo, uma frase bonita. Amar é passar por cima da falha do outro sem esperar nada em troca. A renúncia da certeza. Viajar pelo caminho contrário da natureza humana e se encontrar ali, bem no olho do caos. Ser paciente em um relacionamento não é um luxo, mas sim uma necessidade. É o que divide os meros apaixonados, dos verdadeiramente enamorados.

Respirar fundo durante uma briga, abaixar o nariz para evitar uma discussão, não rebater a resposta atravessada do outro que está em um dia ruim, ser racional nas horas de tormenta é o que consolida a durabilidade de uma parceria. Não dá para ficar o tempo todo por cima na vida, quem dirá no amor.

Antes de embarcar nesse trem guiado por dois é importante se certificar de que todas as certezas estão ficando do lado de fora. A questão toda não é aceitar tudo e qualquer coisa, mas é saber quais brigas valem a pena ser compradas. Quando falta sanidade na rotina do outro, nós, a outra metade, precisamos ser o abrigo. E isso muitas vezes significa sim ficar em silêncio e deixar os raios e trovões apartarem a tempestade. E diferente do que se pensam, não assumimos um papel de submissão, não estamos aceitando migalhas, estamos sendo apenas parceiros. Verdadeiros e reais companheiros.



O maior amor do universo pode solidificar a fundação, mas se faltar paciência a coisa desanda mesmo. Sem dó, nem piedade. Isso engloba não estressar toda vez que ele esquecer a toalha molhada em cima da cama, não fritar quando se ele se some ou não atende o celular, e manter a calma e a compostura quando raiva quiser falar mais alto.

Paciência é o único sentimento capaz de manter o equilíbrio dentro de um relacionamento. O que nós mantém no mesmo patamar de igualdade, quando o ego atrevido tenta subir alguns degraus de escada.
Se a gente cede ao instinto de querer ter sempre a última palavra, no final das contas a decisão acaba sendo nossa mesma: a de ir embora por falta de reciprocidade ou a de ficar até que nenhum dos dois consiga mais olhar dentro dos olhos do outro. É quase impossível algumas vezes, mas saber conversar, respeitar os limites da pessoa que está ao nosso lado, saber discernir o que é um dia ruim e o que é um desvio de comportamento pode ser o diferencial entre quem fica e quem de fato vai embora.

Áries, touro, leão, escorpião, não importa o ascendente. Se toda vez que alguém rugir a gente responder rugindo de volta, o estranhamento deixa de ser um simples descompasso e se torna uma briga de gigantes de proporções épicas. Onde um não quer, dois não brigam, já dizem por aí. Muito melhor manter a razão (e o amor) abstraindo algumas diferenças, do que erguer o chifre por qualquer coisa e instigar a disputa.

Não é questão de anulação, mas sim de saber pelo que gritar. Debater por tudo é um saco e cedo ou tarde desgasta a paixão. Então guardarei a cara feia para um problema sério de verdade.

E com isso eu torço para aguentar você parar de rugir antes de eu começar a falar. Afinal nem tudo são flores, mas podemos com calma florir nosso jardim.



quinta-feira, 24 de setembro de 2015

Dança comigo



– Dança comigo.

Você me disse.

Olhei sua mão e congelei. Não era uma pergunta. Era um pedido. E eu quero. Nossa, se eu pudesse, dançava colada ao teu rosto até o amanhecer – e ficaria esse tempo todo me desculpando por pisar nos seus pés. Porque, na verdade, é isso que eu faço: eu me atrapalho toda. E não só com o ritmo da música…

Ah, moço. Eu sou desastrada demais para aceitar qualquer convite seu. Vou fazer tudo errado, cedo ou tarde. E você não merece alguém assim, tão torta, porque você é lindo. Eu me detestaria ainda mais por estragar você também.

Eu sou quebrada e isso implica em farpas. Não é de propósito, é uma conseqüência. E eu não quero te machucar de forma alguma. E se eu aceitar dançar hoje, vou querer pela vida, porque eu já te amo a distância. Te amo só de olhar. Não sei se deve me atrever a ir além disso, porque… Bem, porque sou eu.

Eu tenho imperfeições implantada nos espelhos… Vai que você passa a me ver desse jeito também? Ah, não! Não quero nem pensar nisso. Sei que ninguém é perfeito e que até você tem falhas, mas eu estou longe demais, entende? Eu tremo só de pensar…

Voltei a olhar a sua mão e percebi que ainda não havia dado resposta.

– Ah, eu torci o pé agora pouco. Está bem dolorido. Vamos ter que deixar pra uma próxima vez…
– Poxa, que pena! Mas, você está bem? Precisa de alguma coisa?
– Não, não. Eu to bem. Já vai passar. É só ficar quieta um pouquinho que já melhora. E outra: Está muito divertido ver o pessoal daqui. Tenho uma vista privilegiada!
– Hum… Me deve uma, então, hein?
– Pode deixar!

Você saiu. A música acabou. E eu continuei sentada, me culpando mais uma vez por ser tão erroneamente eu.

Nyann


segunda-feira, 17 de agosto de 2015

Perfeito



Era tudo perfeito. Nossos gostos combinavam, nosso beijo se encaixava, as conversas nunca tinham fim. Cada vez mais, eu sentia que éramos feitos um para o outro. Eu não cabia em mim de tanta felicidade.

E o que mais me fazia feliz era ver que você também se sentia assim.Programas básicos, mas que eram meras desculpas para estarmos juntos.

Rua, chuva, fazenda, parque, praia, o que fosse junto com você eu ia. E ia bem feliz.

Depois começou ficar mais sério, mas não menos maravilhoso. Começamos a falar sobre grana, planos de vida, perspectivas. E começamos a pensar em construir uma vida a dois. Mais séria, mais adulta. Aos poucos, as coisas foram tomando forma, as dificuldades aumentaram de grau e intensidade. Mas ainda éramos apaixonados.

As brigas ganhavam mais hostilidade, eram mais contundentes e cada vez por motivos mais tolos, mas mesmo assim ainda éramos apaixonados. Até que chegou um momento que eram mais brigas do que paz, eram mais motivos para separarmos do que ficar por aqui.

Mas ainda éramos apaixonados. E quantas vezes desisti de desistir por conta disso?

Meu humor foi-se deteriorando, minha saúde acabando. E a sua também. Até que um dia terminei. E você, em meio a uma crise louca, me disse que sabia que eu não gostava mais de você. A esta altura, isso nem fazia mais diferença, mas hoje quero contar: eu ainda era apaixonada por você.

Foi tão difícil dar um ponto final, dizer adeus e ainda ouvi-lo pondo em dúvida meu sentimento. Aquele que me corroía por dentro, minhas lágrimas e meus soluços eram incessantes. Eu dirigia chorando enquanto lembrava de seu sorriso, de suas mãos, de seus beijos, de nosso começo de namoro.

Foi então que parei o carro, respirei fundo e me lembrei de mim mesma, de como eu era feliz naquele começo e de como agora eu vi ia sofrendo e pensei: “Ainda sou apaixonada, sim. Mas desisti de você antes que eu tivesse que desistir de mim.”

Ainda sinto saudades, ainda sou apaixonada por você, mas por mais apaixonada que eu seja, não vale a pena sofrer.

Enxuguei as lágrimas, liguei o rádio no último volume e cantei junto cada música o mais alto que pude.


segunda-feira, 3 de agosto de 2015

Acho que acabou


Você me manda uma mensagem às duas da tarde querendo saber se tá tudo bem. E antes de te enviar alguma coisa de volta, eu olho pro celular e me pergunto, duas, três, trinta vezes, se você quer mesmo saber a resposta. Ainda que eu acredite, no fundo, que você sabe tanto quanto eu que não, não tá. Porque a gente sabe que acabou.

A gente sabe que acabou quando evita voltar pra casa depois de um dia inteiro de trabalho. Como é que eu vou te encarar com tudo isso preso na garganta? Então eu chego aos trapos e torço pra me jogar na cama sem você me perguntar como foi meu dia. Porque eu tenho medo do fim de nós dois escapar da ponta da minha língua ou de você, de repente, resolver que já deu. E a gente fica assim, num jogo de gato e rato, fugindo do término que o outro já encontrou. Porque a gente sabe que acabou. A gente só não admite.

Nas segundas, nas terças, principalmente nos domingos. O adeus tá sempre ali, a uma esquina de nós dois, na rua em que a gente faz de tudo pra não virar. E eu sinto que eu fico tentando me agarrar a você como se eu ainda pudesse, de algum jeito, de qualquer jeito, salvar o que a gente tinha. Se eu fizer um pouquinho de esforço, será que volta? Será que a gente se coloca nos eixos?

Fico me perguntando que tipo de casal nós vamos ser? Será que a gente vai se amar o suficiente pra saber ir embora?

E enquanto a gente não vai, a gente tenta fingir pra si e pra todo mundo que continua igual. Mas eles sabem. Os nossos amigos, a minha irmã, o nosso vizinho e o porteiro. Até sua mãe sabe. Eu precisei de um pouquinho mais de tempo do que ela pra reparar que alguma coisa tinha se apagado em você também.

E talvez a gente ainda fique mais um tempo insistindo, porque quem ama sempre insiste, não é? E mais cinquenta mensagens, e mais alguns aniversários, e todo mundo sabendo que alguma coisa mudou, até a gente perceber. Alguns amores acabam e nem por isso deixam de ser amor.


quinta-feira, 30 de julho de 2015

Não estou preparada para isso

Hoje você não estava aqui. Eu cheguei, como sempre, cansada, tomei um banho e te esperei. Mas você não apareceu. Já são 01h30 e você ainda não deu sinal de vida. Pensei “deve ter acontecido alguma coisa”, pensei “ele deve ter dormido”, pensei “será que ele está bem? o que será que aconteceu?”, pensei “acho que vou ver um filme” e adormeci.
Não sei se é a minha desilusão atual, a frieza nas relações do filme que assisti, se é a musica que eu estou viciada no momento ou se é apenas o fato de que faz algumas horas desde a última vez que você me mandou uma mensagem, mas definitivamente eu não estou preparada para isso.
Não me leve a mal… eu adoro tudo que a gente é. Eu só não estou preparada pra sentir tanta falta de alguém, pra desejar tanto uma pessoa e por não poder sentir raiva dela ter sumido porque isso é irracional e idiota.
Somos estranhos, sempre seremos. Nunca vimos futuro – ainda bem – nisso. Temos a certeza de que fomos feitos para não dar certo como qualquer outra certeza que já tivemos.
E eu nem quero soar dramática porque essa é a parte que eu menos gosto em mim. Eu cansei. Não de você, do sentimento. Da situação. Eu preciso mudar, melhorar. Conhecer alguém novo. Alguém calmo. Sem dramas, sem mentiras. Quando eu terminar de cuidar de mim.
PS.: Você acabou de ficar on-line e mal sabe que eu acabei de terminar com você.


quarta-feira, 6 de maio de 2015

Cada um tem seu tempo.


Há inúmeras razões para engatar um relacionamento sério. Namore porque você se importa com a pessoa. Namore porque você quer cuidar e ser cuidado. Namore porque você quer ter alguém especial para contar o seu dia. Namore porque você quer um parceiro para as noites de vídeo game ou para a maratona de filminhos debaixo do edredom. Namore porque você quer fazer alguém feliz e ser feliz ao lado dessa pessoa. Mas não namore pra mudar seu status.
Diferente do que dizem as pressões externas, não há nada de errado em ser solteiro. Se você prefere ficar sozinho, essa escolha é sua e ninguém tem nada a ver com isso. Mas no momento em que você cede simplesmente porque não quer mais ouvir frases do tipo: “Quando é que você vai tomar jeito?”, você está sendo injusto com a pessoa que escolhe para chamar de namorado/namorada.
Se você realmente quer tentar um relacionamento, tente. Dê o máximo de si, porque não é fácil.  Relacionamentos são deliciosamente complicados e exigem paciência de Dalai Lama para que funcionem. Pedem uma dedicação ao nível de Hércules.  Romantismo na medida certa para não se tornar grudento demais e liberdade em dose moderada para não virar negligência.
Ter alguém só porque dizem que você precisa, é egoísmo. Não namore se não estiver pronto para isso. Cada um tem seu tempo. Não se apresse por medo de ficar sozinho. Deixe as coisas acontecerem no ritmo que deve ser. Quando você menos esperar, estará louco pelo sorriso de alguém. 

E se tudo der certo, você vai ficar assim até perder a conta dos dias.


segunda-feira, 27 de abril de 2015

Histriônica


Em busca de atenção
Perco-me entre a realidade e a ficção
Sou um poeta a deriva
Que vive a sede de sua saliva

E nas curvas desta vida
Às vezes sou a chegada, outras a partida
Escondendo-me de suas verdades escondidas
Uma borboleta da família hespéridas

Mas nesta minha fabula real
Também vivo a luta entre o bem e o mal
Feito uma criança que não se cansa de brincar
Neste meu parque de diversão; que te convido a entrar... 

Por Saulo Prado


sexta-feira, 24 de abril de 2015

A felicidade assusta



A felicidade assusta. Para ser feliz, é preciso ter coragem. Muitas pessoas evitam de todas as formas ser feliz porque para isso é preciso acreditar que elas são merecedoras da felicidade. Com medo de encarar a felicidade de frente, elas se sabotam.

Como aquelas pessoas que vivem dizendo que adorariam ter um parceiro pra vida toda, mas que justificam a não realização desse sonho porque não conseguem confiar nas pessoas. Mesmo que sem perceber, elas passam a agir com parceiros em potencial como se de fato eles realmente não fossem confiáveis, e ficam testando-os através de afirmações como “Será que ele ficaria comigo mesmo se eu fosse chata o tempo todo?” É como se elas quisessem provar para si mesmas que são um fracasso nessa área da vida, e nesse jogo maluco entre a emoção e a razão fazem profecias que, obviamente, cumprem sua função: se tornam realidade. Ninguém, de fato, consegue ficar com alguém tão chata assim.

Tem também os que ao se apaixonar, criam logo um estereótipo do que buscam em alguém e o projetam nessa pessoa. E assim que conseguem concretizar o relacionamento, começam a se ver frustradas pois, obviamente, o outro irá, dia após dia, desapontar as suas expectativas, afinal ela não está se relacionamento com ele e sim com uma imagem do que gostaria que ele fosse. 

Ela fica triste porque ele se esqueceu do aniversário de dois meses e se frustra porque na sua imaginação, criou um cara super romântico. Ele cozinha e não lava a louças e ela se frustra porque projetou nele a ideia de um homem organizado. Ele dispensa os programas dela de família e ela mais uma vez se zanga porque criou na sua cabeça uma versão dele que adorasse seus parentes.

Outro exemplo clássico é o do cara que diz que não acredita que ninguém consiga de fato ficar somente com uma pessoa na vida. Daí ele passa a ter relacionamentos extra conjugais porque tem certeza que sua esposa também fez ou fará isso em algum momento. Isso é uma certeza dele, uma conclusão dele, mas talvez se ele parasse para discutir isso com ela perceberia que ela tem uma opinião bem diferente sobre esse assunto: acredita sim que é possível controlar o desejo de ficar com outras pessoas em nome de um amor. Inclusive, nos diversos relacionamentos que teve antes dele, sempre conseguiu levar na boa o fato de ter que ficar com uma pessoa só. 

Há sempre uma forma de nos auto-sabotarmos se nos descuidarmos por alguns instantes. Fazemos isso o tempo todo, sem mesmo notar. Colocamos a pedra no nosso próprio caminho, quebramos nossas próprias pernas, compramos um sapato de número menor que o nosso pé, jogamos uma mochila de 200kg nas nossas próprias costas, sempre com a bizarra intenção de nos frearmos rumo a linha de chegada da felicidade, do prazer, do amor. 

Às vezes nadamos nadamos e morremos na praia, vendo o cara na areia tomar um suco, quando o que mais queríamos é estar lá também. 

Só quem pode desatar esse nó somos nós mesmos. Ter consciência desse fato já nos coloca passos à frente num caminho diferente, o da auto-realização. Encarar os nossos fantasmas de frente é a única forma de fazer com que eles despareçam ou que, pelo menos, fiquem quietinhos num canto sem causar estrago.

quinta-feira, 23 de abril de 2015

As vezes é preciso partir


Não espere até que as luzes de atar cintos estejam apagadas. Não existe nenhum sinal. É a gente que tem que decidir a hora de levantar e deixar a cadeira vazia. Liberar o coração do outro para as próximas viagens. Deixar-se ir. Preservar o respeito que resta para que ambos consigam sair de pé. Para que não sejam só dois sobreviventes de um amor que não deu certo, para que não se tornem menos humanos depois de tolerar por tanto tempo o racionamento de esperança. Para que não saiam amargos por implorar por paciência como quem mendiga amendoim.


Não é preciso chegar a tanto. Aperta o coração levantar, mas as vezes eu acho que devemos partir assim mesmo. Com o coração apertado, pesado, moído, mas com a perspectiva de um futuro mais leve. Sinto que o medo de fazer uma má-escolha nos mantém atados. Como se a calmaria do pé no chão de todos os anos sozinha se tornasse insuportável. Como se qualquer coisa fosse melhor do que encontrar o portão fechado, como tantas vezes aconteceu. A porta está sempre aberta, mas ficamos presos à ideia de céu azul do primeiro mês está logo ali na frente.

É como se a certeza da turbulência fosse melhor do que a dúvida. Do que simplesmente não saber. A gente embarcou por amor, mas permanece por apego, por carinho, pela necessidade de dar as respostas certas a perguntas que, muitas vezes, sequer foram feitas. Toda vez que o amor balança, escuto um sinal de alerta dentro da minha cabeça. Ignoro por costume, mas não é que silencie. Não sei se é só uma nuvem escura ou a entrada da tempestade.

Devia existir um limite mais claro para quando as bagagens dessa história se tornam pesadas demais. Algum critério mais preciso para quem alterna entre o “eu amo” e o “isso não é pra mim” em questão de segundos. Um comentário infeliz e o dia desanda irreversivelmente. A gente pergunta para os amigos, compara histórias, repensa o passado, mas não encontra, nem vai encontrar, nada definitivo. Restam poucas ilusões e a única certeza que se tem é que a rotina da guerra cansa. Devíamos estar flutuando. Mas, quando a gente para para ver, estamos tensos, com as mãos suadas, morrendo de medo.

Para ser feliz, muitas vezes é preciso partir.


segunda-feira, 20 de abril de 2015

Eu Te Amo!




Eu te amo, mas não sei como falar, como explicar, como agir, sei lá. Você murmura qualquer coisa e eu já tremo toda de tanto nervosismo que a tua presença me causa. Me leve daqui. Me leve com você. Venha comigo. Mas não tenho para onde ir. Por mim, a gente pode ficar aqui, quietinhos dividindo sorvetes,  edredons e sonhos. Tanto faz a cama e o colchão. Você se importa tanto assim com isso?

Dia desses, eu tentei te esquecer de vez. Juro. Mas ai percebi que matar você em mim é o mesmo que morrer e continuar vivendo, sabe? Passaria o resto dos meus dias como zumbi recheado de dor e entalado de lembranças do que nunca vivi com você. 

Então, não morra não. Não antes de eu dizer que te amo. Não antes de você dizer isso para mim, também. Que vai me levar contigo. Ou que ficará aqui comigo. Sei lá. Não se vá – nem para o céu, nem para a Nova Guiné – sem me dar mais uns uns carinhos no queixo e um colo.
Olha aqui, vai. Eu tô me embolando as palavras, eu sei. Não porque eu to confusa. Ok, eu sou confusa. Mas nem sempre. Não agora. Tá, agora eu posso estar um cado confusa. Mas é porque amar é, ao mesmo tempo, ter um dicionário a falar e não saber como. É como se meu cérebro desaprendesse qualquer idioma tolo. E eu fico aqui, gesticulando vírgulas que exigem a tua presença um pouco mais.

Fica, vai! Nesta semana, você anda tão triste que me aperta a alma. E eu não sei se você sabe, mas se estivesse comigo, cê seria mais feliz. Juro. Deu na TV, nos jornais, no tarot, no horóscopo, nas músicas e nos livros que ando lendo.

Eu estou falando feito um doido, sem vírgulas ou pausas, inventando assuntos quaisquer porque estou morrendo de medo do silêncio oceânico que pode surgir e você desviar teus olhos dos meus, reparar na vizinhança, naquele moço de gravata cinza ou na senhorinha dando comida aos pombos, e, talvez, você reparando no moço de gravata cinza e na senhorinha dando comida aos pombos possa pensar que já não há mais nada a fazer aqui e decida ir embora porque não gosta de cinza, nem de pombos, nem de mim. Sei lá.

Cê tá com fome? Eu tenho um par de lábios e um tanto de sonhos que podem te alimentar. Juro. Como faz aquele macarrão que você gosta? Eu posso aprender, também. E amar, além de ser algo que me deixa mais confusa, nervosa e gaga, deve ser aprender a ser a mestre dos desejos do outro. Assim, só para te agradar, saber? Isso é amor. Você sabe. Ou acho que sabe. Mas, de qualquer forma, gostaria que soubesse que eu te amo. É, amor. Sem aqueles coraçõeszinhos infantis da quarta série. Ou musiquinha bonitinha por aqui. É amor. Ponto.

Entendeu alguma coisa? Não? Ok, perfeito assim. Se você entendesse, eu ficaria triste por ter conseguido explicar algo sem explicação. E é isso: de onde eu vim, sentimentos são inexplicáveis, mas explicam todo o resto. Amor é um sem sentido sentir e dar sentido a tudo. E este tudo, agora, é você. 

Toda vez que eu falo contigo




Toda vez que falo contigo, um filme passa na minha cabeça. Engraçado como 

que o passado, presente e o futuro se confundem em mim nessa hora. Confesso que, 

em determinadas circunstâncias, perco totalmente o foco. Fico com o pensamento, 

mas viajando aqui. Vou de encontro a garota dentro de mim que lia minhas poesias 

pra te ver sorrir e, de repente, estou com alguém que não conheço, mas  que o sorriso

é exatamente igual ao seu.

São tantos flashes que o momento presente some. Estranho, né? E num 

furacão de emoções logo estou de volta aos teus braços, preso pelos seus dedos e

com meus cabelos caindo no meu rosto, confundindo o teu gosto de laranja com o

perfume que passou de manhã, mas que ainda não saiu. Meu olfato e paladar se

perdem. Apenas atestam que estou sentindo você. 

Admito que abro o olho em certos momentos. Pode ser um tipo de reflexo pra 

ver se você ainda está ali ou se é uma miragem produzida por algum efeito que o 

gostar e o querer fazem com meu cérebro. E acordo querendo ter vivido esse sonho. 

Lembro uma vez de sonhar contigo e acordar com raiva por estar sozinha. Minha cama

tão grande, teu lugar esperando e um sonho pra me atazanar as ideias.

Como dormir depois disso?

Toda vez que falo contigo eu deixo crescer em mim o gostar. Não crio expectativa de

nada, mas não consigo frear essa necessidade de estar contigo a cada dia. 

Já não sei não estar com você. 

Ser seu amiga? Ok, sou faz tempo e tento sempre te mostrar que hoje ainda o 

sou, mas também estou sendo mais que isso. Estou sendo sua companheira... Não 

aquela que diz oque você gostaria de ouvir e sim aquela que fala as verdades, mesmo 

que doa um pouco... aquela sincera que te ama. Só você não vê.

Estarei sempre contigo! 

Nyann

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

A fotografia mais triste que eu vi hoje


“Não existe objetividade em fotografia. Para produzir sentido, uma foto depende tanto do repertório cultural de quem a registra como do de quem a vê.” – Susan Sontag

 "Pensei mais de uma vez que, quando se trata de animais, todo homem é um nazista." - Isaac Bashevis Singer.

O Penitente Foto do chinês Yongzhi Chu, vencedora do World Press Photo 2015 na categoria 'Natureza': http://bit.ly/1LitpMH 

Macaco acuado diante do seu treinador Qi Defang, durante treinamento para um circo em Suzhou, província de Anhui, na China. Com mais de 300 trupes circenses, Suzhou é conhecida como a cidade natal do circo chinês.


sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

Boa Sorte



Quantos de nós ao terminar um relacionamento, acabamos desejando que a outra pessoa seja feliz? Quantos de nós desejamos isto de coração? Nessa minha vida de relacionamentos, de idas e vindas, eu sempre desejei que todos os meus ex fossem felizes, e de fato, é tudo que desejo mesmo.

Quando um relacionamento acaba temos a dúvida de como vai ser no futuro. Se vamos encontrar uma pessoa melhor, se essa pessoa vai nos dar aquele carinho e atenção que faltou no antigo e se ela vai nos respeitar muito mais. Se no outro dia a pessoa vai ligar, nos desejar bom dia e no final do dia vai estar ao nosso lado. – que duvida, não é?

- Depois de aceitarmos os fatos, trocamos os seus retratos por um de outro alguém…

O relacionamento acabou, daí vamos lá apagar fotos do celular, Facebook, tirar do mural de fotos da parede do quarto, mudar a agenda do celular de “amor” para o nome da pessoa. Pedir para que os amigos não toquem no nome da(o) ex e ficar respondendo aquela velha pergunta: por que vocês terminaram? Vocês se davam tão bem. – pois é, durante aquele tempo fomos muito bem. Mas acabou.

Alguns evitam andar nos locais onde o ex é acostumado a estar. Passam um tempo saindo de casa, pensando se vão encontrar o ex nos cantos da cidade. É tudo uma questão de tempo até esquecer o sentimento pela pessoa. Até você enxergar a pessoa pela rua e não sentir seu coração acelerado. Até você não sentir mais vontade de chamar a atenção.

- Já tiveram seus momentos, mas passou o seu tempo, não podem negar… Confesse que foi bom! Fizeram histórias que ficarão na memória…

Não importa se vocês estão um ou dez anos separados, de vez em quando você vai se lembrar de um momento bom que passou com seu ex. Vai lembrar do passeio de mãos dadas ou da primeira vez em que dormiram juntos. Das cartas de amor e das declarações em público. Relacionamento acaba, mas a história de vocês permanecem nas lembranças de como poderia ser se não tivesse terminado. 

E como não desejar que seja feliz alguém que, pelo menos por um tempo, te fez tão bem?

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quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

Desista



Não cobre amor, dê amor. Não mendigue um sorriso, sorria. Não critique, faça algo para mudar. Pare de depositar expectativa nos outros, deposite-as em você. 

Não reclame sobre a vida, viva. A vida é aquilo que você faz dela, portanto, faça o melhor que puder. Se for para desistir de algo, desista de ser fraco…

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terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

Você vai ser sempre de alguém que não meu


Não adianta:  você vai ser sempre de alguém que não meu e eu vou sempre ser de alguém que não sua. E por mais que a gente tente fingir que tá tudo bem, que somos superiores e evoluídos a tudo que diz respeito aos chamados relacionamentos maduros, o coração nunca vai entender porque a gente perde tanta chance de ser feliz juntos.
Porque toda vez que a gente se vê, fica difícil disfarçar a empolgação e que um simples oi já é capaz de nos fazer corar, refletindo a esperança esquisita de que um dia o destino se encarregue de errar a pontaria e o cupido faça sua parte. Cada palavra que trocamos parece ter um tom de duplo sentido, de vontade contida na esperança que o outro note os pensamentos apimentados sobre o que estaríamos realmente fazendo se não fôssemos politicamente corretos e socialmente comprometidos com um futuro que jamais será nosso.
Nosso problema é saber. É ter certeza que no fundo, seríamos o perfeito caso que tem tudo para dar errado. Seríamos o próprio caos e juntos, transformaríamos-nos naquele tipo de gente louca que sempre criticamos às escondidas. E ainda assim, dói saber que nunca seremos um só. Dói pra caramba saber que sempre haverá um “se”, uma chance perdida, uma possibilidade não tentada.

E essa ânsia mútua que temos em nos dominar provavelmente só daria certo entre quatro paredes. Nunca tive dúvidas que provaríamos o melhor sexo do mundo:
aquele misto de libertar toda a vontade contida há anos com a raiva em saber que não seríamos um do outro pra sempre. Aquela tara presente em todo o sexo de reconciliação sem ao menos termos brigado antes. O cheiro sem máscaras, as vergonhas e tabus todos deixados do lado de fora do quarto. Os olhos que não se desviam, que se arregalam, que se conversam sem uma única palavra ser dita. O toque que arranha, que quase machuca de tão forte e intenso. A fantasia tornada realidade com certeza renderia alguns hematomas leves, apenas a cunho de ter certeza que não era mais uma vez a imaginação tomando conta da mente e traindo os sentidos. Sua mão em mim, minha boca em você. O cabelo emaranhado, a cor das nossas peles afetadas pelo escorrer do suor (fruto de um prazer quase proibido de tão gostoso). O eriçar de mamilo que o leve raspar do teu peito causaria. 
O arrepio que a minha boca no teu pescoço causaria por inteiro. O gosto, o gozo, o ápice. E o repeteco.
O gemido do novo orgasmo e a vontade de que o tempo parasse. Que a vida se resumisse num looping de noites de sexo. Que todos os outros problemas que enfrentaríamos no mundo lá fora não nos estapeassem na cara, como uma ressaca brava que a vida causaria ao nascer do sol, não existissem.
Por ora, seguimos assim: desejosos e ingratos por sermos ambos tão complexos. Felizes porém, pela consciência e imaginação que temos.
E esperando, lá no fundo (embora sempre negando), que um dia o mundo dê voltas. E que toda essa nossa complexidade se torne, do dia pra noite, algo muito mais simples, como gostar de sorvete.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

Talvez isto aconteça só comigo


Lá pelas três e tanto da madrugada de domingo, eu não consigo dormir. Sinto uma pontada forte no peito, como se alguma parte de mim estivesse avisando que essa é a última dor que eu vou sentir por você. E é uma droga, cara, mas eu de repente começo a perceber que vou ficar melhor assim. Sabe esse momento? Aquela hora em que a gente se toca, depois de muitas conversas inacabadas e ligações não atendidas, que não é pra gente. Alguns amores não são nossos. Nem nunca vão ser.
Fico pensando em quantas vezes te segurei aqui e não deixei nossa história acabar. Eu insisti demais, admito. Ignorei todos os sinais, implorei atenção, fiz o que eu dizia que nunca faria: mendiguei carinho. Até que a ficha cai. Tem algo de errado com um amor que precisa ser cobrado. Não tem?
Te deixar ir era me deixar ir um pouco também. Cê entende? Desistir de você era desistir de mim e o que eu queria. E eu te queria tanto, mas tanto, que não consigo nem começar a explicar. Era pra ter dado certo, sabe? E eu demorei demais pra ver que não deu certo nem no começo. Mas uma hora a gente enxerga até o que não quer. É por isso que eu escapo da sua vida ainda que você continue com o discursinho que a gente ainda tem jeito. Porque a gente não tem. Mais nada.
Lá pelas quatro, a pontada passa. Esquecer você é meio que natural depois de tudo. Desculpa falar assim, é que eu acho que a gente tem prazo de validade pra sentir dor. Pra sentir falta, talvez não: acho que consigo sentir saudade do seu abraço mais um pouco. Mas sofrer? Acho que não.Tenho a impressão de que uma hora a gente cansa.
 Ou talvez isto aconteça só comigo.Mas é que eu não tenho mais força pra pensar em tudo o que a gente poderia ter sido.

sábado, 31 de janeiro de 2015

Vem logo


O que você quer ouvir? Aliás… O que você precisa ouvir? Eu tenho as palavras aqui, eu só dizer. Precisa escutar que posso te fazer feliz? Tudo bem: Eu canto e grito a quem quiser ouvir que posso – você duvida? Eu vou.

Eu não sei por que as coisas aconteceram do jeito que aconteceram com você. Essa explicação, infelizmente, ficarei te devendo. Mas, se você quiser, eu posso te mostrar que há sentimentos maiores e melhores que o medo.

Pode se apaixonar: Sou eu. A garota mais legal do mundo. Vai ficar tudo bem. Deixa eu curar as suas feridas com os meus abraços, afagos, carinhos. Tenho tantos beijos guardados pra você na minha boca… É só você chegar.

E, quando vier, tire tudo. A roupa, a insegurança, o receio, os pensamentos que você enraizou profundo na sua mente de que, logo, algo vai dar errado.  Venha para mim despido e se entregue, não só ao meu corpo, mas à minha vida..

Eu vou quebrar o seu ciclo de erros. Confia em mim e acredita que isso é possível. Eu posso tornar real, mas preciso da sua ajuda. Dispensa a descrença no amor e na paixão, porque eu sou diferente.

Sou eu – apaixonada e louca. E o que eu tenho é maior que toda a dor que você carrega, eu asseguro. 
Só segura a minha mão e veja meu sorriso quando nossos dedos se cruzam. Meus olhos vão te convencer que não estou falando da boca pra fora.

Pode vir. Ainda que tímido e devagar. Eu não tenho pressa, mas eu quero você aqui por inteiro. Essa é a minha condição: Ainda que você esteja em pedaços, quero todos. Irei juntá-los e tornar você a minha obra-prima.
Então, sem mais delongas: Vem pra mim. Vem logo. Vem

Que eu não perca



Que eu não perca o ROMANTISMO, mesmo eu sabendo que as rosas não falam.
Que eu não perca o OTIMISMO, mesmo sabendo que o futuro que nos espera não é assim tão alegre.
Que eu não perca a vontade de VIVER, mesmo sabendo que a vida é, em muitos momentos, dolorosa...
Que eu não perca a vontade de ter grandes AMIGOS, mesmo sabendo que nem todos são verdadeiros.
Que eu não perca a vontade de AJUDAR as pessoas, mesmo sabendo que muitas delas são incapazes de ver, reconhecer e retribuir esta ajuda.
Que eu não perca a VONTADE de amar, mesmo sabendo que aqueles que eu amo, pode não sentir o mesmo sentimento por mim...
Que eu não perca a LUZ e o BRILHO no olhar, mesmo sabendo que muitas coisas que verei no mundo, escurecerão meus olhos...
Que eu não perca a GARRA, mesmo sabendo que a vida é uma adversaria extremamente perigosa.
Que eu não perca o sentimento de JUSTIÇA, mesmo sabendo que o prejudicado possa ser eu.
Que eu não perca o meu forte ABRAÇO, mesmo sabendo que um dia meus braços estarão fracos...
E que eu nunca perca a vontade de AMAR, mesmo com as cicatrizes no peito da gatinha 


Porque metade de mim é amor ........... e a outra também 

É triste? mas é verdade.



Amor não correspondido é como uma batida de carro: dois corpos em colisão e o que vai determinar a intensidade é a velocidade e a força com que eles se chocam. Um deles vai bater mais forte e o outro vai sair mais ferido. Na nossa breve visão da situação, aposto que você pensaria em culpar quem rejeita e colocar o rejeitado – ainda mais se for você – num pedestal. Mas não, não deveria ser assim.

Você deu e ele não quis. Engula o choro e pare de amaldiçoar o coitado: ele não pediu seu amor.
Você embrulhou numa caixa de presentes e mandou junto com flores e bombons à moda antiga. Ela disse que não poderia aceitar porque não sente o mesmo. Engula a raiva e pare de maldizer a guria: ela não pediu o seu amor.
Não sei se você percebe o lado deles, mas amar alguém que ama a gente pode ser um fardo ou uma dádiva.

É uma dádiva quando nasce de dentro, quando vem uma coisa bonita e arrebata a gente – porque amor correspondido é arrebatador, transformador, expõe um lado que a gente não conhecia. E pode ser um fardo quando ele é carregado sozinho e entregue pra gente como se fosse obrigação nossa aceitar. Não, não é.

Amor não correspondido é uma bosta, eu sei. Eu sempre me sentia um fracasso quando tentava, persistia, usava de todas as artimanhas e de todo o charme (que eu achava que tinha) pra tentar conquistar alguém. Não dava certo, caía fora de cabeça baixa, coração pesado e boca cheia. Reunia os amigos e contava a minha versão – é sempre a nossa versão dos fatos, nunca a verdade -, e dá-lhe encontrar motivos pra culpar o outro. Muitos sinais emitidos, muitas gentilezas trocadas, muitos convites aceitos e meu amor que é bom nada.

Meu bem, amor não é questão de mérito, nunca foi. Não importa quanto esforço você faça, não importa quão legal você seja: amor não é recompensa e nem prêmio de consolação. Você não vai encontrar amor como prêmio da Mega da Virada, nem na Tele Sena. Não vai pedir delivery num domingo à noite quando bater carência nem vai pedir num menu de algum restaurante descolado do Itaim Bibi.

Então pegue a caixa na qual você guarda esse amor todo e tenha plena consciência de que pode oferecê-la pra quem quiser. A recusa não é grosseira e é uma possibilidade recorrente. Não é falta de delicadeza, muito menos atestado de babaquice. É só alguém dizendo que não rolou, que aquela chavezinha que roda aqui dentro quando se ama, quando se quer por perto, não rodou. Não rodou por você, obrigado e volte sempre.

Antes de maldizer o mundo, os fundos e a falta de amor, pense duas vezes. Por você e por quem recusou a oferta. Um dia você é recusado, no outro recusa. O lado bom disso é que a gente não precisa fazer recall do produto (e nem encarar uma fila de espera de 40 minutos a 1 hora pra entrega, como se fosse pizza).

Se você encarar dessa forma, as chances de se sentir machucado são bem menores. Até porque o mundo não se divide em vítimas e agressores. Num acidente de carro, por exemplo, o motorista não tem culpa se você se jogar contra o carro dele numa avenida movimentada. O estrago é por conta e risco seu. Todo seu.