sexta-feira, 24 de abril de 2015

A felicidade assusta



A felicidade assusta. Para ser feliz, é preciso ter coragem. Muitas pessoas evitam de todas as formas ser feliz porque para isso é preciso acreditar que elas são merecedoras da felicidade. Com medo de encarar a felicidade de frente, elas se sabotam.

Como aquelas pessoas que vivem dizendo que adorariam ter um parceiro pra vida toda, mas que justificam a não realização desse sonho porque não conseguem confiar nas pessoas. Mesmo que sem perceber, elas passam a agir com parceiros em potencial como se de fato eles realmente não fossem confiáveis, e ficam testando-os através de afirmações como “Será que ele ficaria comigo mesmo se eu fosse chata o tempo todo?” É como se elas quisessem provar para si mesmas que são um fracasso nessa área da vida, e nesse jogo maluco entre a emoção e a razão fazem profecias que, obviamente, cumprem sua função: se tornam realidade. Ninguém, de fato, consegue ficar com alguém tão chata assim.

Tem também os que ao se apaixonar, criam logo um estereótipo do que buscam em alguém e o projetam nessa pessoa. E assim que conseguem concretizar o relacionamento, começam a se ver frustradas pois, obviamente, o outro irá, dia após dia, desapontar as suas expectativas, afinal ela não está se relacionamento com ele e sim com uma imagem do que gostaria que ele fosse. 

Ela fica triste porque ele se esqueceu do aniversário de dois meses e se frustra porque na sua imaginação, criou um cara super romântico. Ele cozinha e não lava a louças e ela se frustra porque projetou nele a ideia de um homem organizado. Ele dispensa os programas dela de família e ela mais uma vez se zanga porque criou na sua cabeça uma versão dele que adorasse seus parentes.

Outro exemplo clássico é o do cara que diz que não acredita que ninguém consiga de fato ficar somente com uma pessoa na vida. Daí ele passa a ter relacionamentos extra conjugais porque tem certeza que sua esposa também fez ou fará isso em algum momento. Isso é uma certeza dele, uma conclusão dele, mas talvez se ele parasse para discutir isso com ela perceberia que ela tem uma opinião bem diferente sobre esse assunto: acredita sim que é possível controlar o desejo de ficar com outras pessoas em nome de um amor. Inclusive, nos diversos relacionamentos que teve antes dele, sempre conseguiu levar na boa o fato de ter que ficar com uma pessoa só. 

Há sempre uma forma de nos auto-sabotarmos se nos descuidarmos por alguns instantes. Fazemos isso o tempo todo, sem mesmo notar. Colocamos a pedra no nosso próprio caminho, quebramos nossas próprias pernas, compramos um sapato de número menor que o nosso pé, jogamos uma mochila de 200kg nas nossas próprias costas, sempre com a bizarra intenção de nos frearmos rumo a linha de chegada da felicidade, do prazer, do amor. 

Às vezes nadamos nadamos e morremos na praia, vendo o cara na areia tomar um suco, quando o que mais queríamos é estar lá também. 

Só quem pode desatar esse nó somos nós mesmos. Ter consciência desse fato já nos coloca passos à frente num caminho diferente, o da auto-realização. Encarar os nossos fantasmas de frente é a única forma de fazer com que eles despareçam ou que, pelo menos, fiquem quietinhos num canto sem causar estrago.

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