segunda-feira, 27 de abril de 2015

Histriônica


Em busca de atenção
Perco-me entre a realidade e a ficção
Sou um poeta a deriva
Que vive a sede de sua saliva

E nas curvas desta vida
Às vezes sou a chegada, outras a partida
Escondendo-me de suas verdades escondidas
Uma borboleta da família hespéridas

Mas nesta minha fabula real
Também vivo a luta entre o bem e o mal
Feito uma criança que não se cansa de brincar
Neste meu parque de diversão; que te convido a entrar... 

Por Saulo Prado


sexta-feira, 24 de abril de 2015

A felicidade assusta



A felicidade assusta. Para ser feliz, é preciso ter coragem. Muitas pessoas evitam de todas as formas ser feliz porque para isso é preciso acreditar que elas são merecedoras da felicidade. Com medo de encarar a felicidade de frente, elas se sabotam.

Como aquelas pessoas que vivem dizendo que adorariam ter um parceiro pra vida toda, mas que justificam a não realização desse sonho porque não conseguem confiar nas pessoas. Mesmo que sem perceber, elas passam a agir com parceiros em potencial como se de fato eles realmente não fossem confiáveis, e ficam testando-os através de afirmações como “Será que ele ficaria comigo mesmo se eu fosse chata o tempo todo?” É como se elas quisessem provar para si mesmas que são um fracasso nessa área da vida, e nesse jogo maluco entre a emoção e a razão fazem profecias que, obviamente, cumprem sua função: se tornam realidade. Ninguém, de fato, consegue ficar com alguém tão chata assim.

Tem também os que ao se apaixonar, criam logo um estereótipo do que buscam em alguém e o projetam nessa pessoa. E assim que conseguem concretizar o relacionamento, começam a se ver frustradas pois, obviamente, o outro irá, dia após dia, desapontar as suas expectativas, afinal ela não está se relacionamento com ele e sim com uma imagem do que gostaria que ele fosse. 

Ela fica triste porque ele se esqueceu do aniversário de dois meses e se frustra porque na sua imaginação, criou um cara super romântico. Ele cozinha e não lava a louças e ela se frustra porque projetou nele a ideia de um homem organizado. Ele dispensa os programas dela de família e ela mais uma vez se zanga porque criou na sua cabeça uma versão dele que adorasse seus parentes.

Outro exemplo clássico é o do cara que diz que não acredita que ninguém consiga de fato ficar somente com uma pessoa na vida. Daí ele passa a ter relacionamentos extra conjugais porque tem certeza que sua esposa também fez ou fará isso em algum momento. Isso é uma certeza dele, uma conclusão dele, mas talvez se ele parasse para discutir isso com ela perceberia que ela tem uma opinião bem diferente sobre esse assunto: acredita sim que é possível controlar o desejo de ficar com outras pessoas em nome de um amor. Inclusive, nos diversos relacionamentos que teve antes dele, sempre conseguiu levar na boa o fato de ter que ficar com uma pessoa só. 

Há sempre uma forma de nos auto-sabotarmos se nos descuidarmos por alguns instantes. Fazemos isso o tempo todo, sem mesmo notar. Colocamos a pedra no nosso próprio caminho, quebramos nossas próprias pernas, compramos um sapato de número menor que o nosso pé, jogamos uma mochila de 200kg nas nossas próprias costas, sempre com a bizarra intenção de nos frearmos rumo a linha de chegada da felicidade, do prazer, do amor. 

Às vezes nadamos nadamos e morremos na praia, vendo o cara na areia tomar um suco, quando o que mais queríamos é estar lá também. 

Só quem pode desatar esse nó somos nós mesmos. Ter consciência desse fato já nos coloca passos à frente num caminho diferente, o da auto-realização. Encarar os nossos fantasmas de frente é a única forma de fazer com que eles despareçam ou que, pelo menos, fiquem quietinhos num canto sem causar estrago.

quinta-feira, 23 de abril de 2015

As vezes é preciso partir


Não espere até que as luzes de atar cintos estejam apagadas. Não existe nenhum sinal. É a gente que tem que decidir a hora de levantar e deixar a cadeira vazia. Liberar o coração do outro para as próximas viagens. Deixar-se ir. Preservar o respeito que resta para que ambos consigam sair de pé. Para que não sejam só dois sobreviventes de um amor que não deu certo, para que não se tornem menos humanos depois de tolerar por tanto tempo o racionamento de esperança. Para que não saiam amargos por implorar por paciência como quem mendiga amendoim.


Não é preciso chegar a tanto. Aperta o coração levantar, mas as vezes eu acho que devemos partir assim mesmo. Com o coração apertado, pesado, moído, mas com a perspectiva de um futuro mais leve. Sinto que o medo de fazer uma má-escolha nos mantém atados. Como se a calmaria do pé no chão de todos os anos sozinha se tornasse insuportável. Como se qualquer coisa fosse melhor do que encontrar o portão fechado, como tantas vezes aconteceu. A porta está sempre aberta, mas ficamos presos à ideia de céu azul do primeiro mês está logo ali na frente.

É como se a certeza da turbulência fosse melhor do que a dúvida. Do que simplesmente não saber. A gente embarcou por amor, mas permanece por apego, por carinho, pela necessidade de dar as respostas certas a perguntas que, muitas vezes, sequer foram feitas. Toda vez que o amor balança, escuto um sinal de alerta dentro da minha cabeça. Ignoro por costume, mas não é que silencie. Não sei se é só uma nuvem escura ou a entrada da tempestade.

Devia existir um limite mais claro para quando as bagagens dessa história se tornam pesadas demais. Algum critério mais preciso para quem alterna entre o “eu amo” e o “isso não é pra mim” em questão de segundos. Um comentário infeliz e o dia desanda irreversivelmente. A gente pergunta para os amigos, compara histórias, repensa o passado, mas não encontra, nem vai encontrar, nada definitivo. Restam poucas ilusões e a única certeza que se tem é que a rotina da guerra cansa. Devíamos estar flutuando. Mas, quando a gente para para ver, estamos tensos, com as mãos suadas, morrendo de medo.

Para ser feliz, muitas vezes é preciso partir.


segunda-feira, 20 de abril de 2015

Eu Te Amo!




Eu te amo, mas não sei como falar, como explicar, como agir, sei lá. Você murmura qualquer coisa e eu já tremo toda de tanto nervosismo que a tua presença me causa. Me leve daqui. Me leve com você. Venha comigo. Mas não tenho para onde ir. Por mim, a gente pode ficar aqui, quietinhos dividindo sorvetes,  edredons e sonhos. Tanto faz a cama e o colchão. Você se importa tanto assim com isso?

Dia desses, eu tentei te esquecer de vez. Juro. Mas ai percebi que matar você em mim é o mesmo que morrer e continuar vivendo, sabe? Passaria o resto dos meus dias como zumbi recheado de dor e entalado de lembranças do que nunca vivi com você. 

Então, não morra não. Não antes de eu dizer que te amo. Não antes de você dizer isso para mim, também. Que vai me levar contigo. Ou que ficará aqui comigo. Sei lá. Não se vá – nem para o céu, nem para a Nova Guiné – sem me dar mais uns uns carinhos no queixo e um colo.
Olha aqui, vai. Eu tô me embolando as palavras, eu sei. Não porque eu to confusa. Ok, eu sou confusa. Mas nem sempre. Não agora. Tá, agora eu posso estar um cado confusa. Mas é porque amar é, ao mesmo tempo, ter um dicionário a falar e não saber como. É como se meu cérebro desaprendesse qualquer idioma tolo. E eu fico aqui, gesticulando vírgulas que exigem a tua presença um pouco mais.

Fica, vai! Nesta semana, você anda tão triste que me aperta a alma. E eu não sei se você sabe, mas se estivesse comigo, cê seria mais feliz. Juro. Deu na TV, nos jornais, no tarot, no horóscopo, nas músicas e nos livros que ando lendo.

Eu estou falando feito um doido, sem vírgulas ou pausas, inventando assuntos quaisquer porque estou morrendo de medo do silêncio oceânico que pode surgir e você desviar teus olhos dos meus, reparar na vizinhança, naquele moço de gravata cinza ou na senhorinha dando comida aos pombos, e, talvez, você reparando no moço de gravata cinza e na senhorinha dando comida aos pombos possa pensar que já não há mais nada a fazer aqui e decida ir embora porque não gosta de cinza, nem de pombos, nem de mim. Sei lá.

Cê tá com fome? Eu tenho um par de lábios e um tanto de sonhos que podem te alimentar. Juro. Como faz aquele macarrão que você gosta? Eu posso aprender, também. E amar, além de ser algo que me deixa mais confusa, nervosa e gaga, deve ser aprender a ser a mestre dos desejos do outro. Assim, só para te agradar, saber? Isso é amor. Você sabe. Ou acho que sabe. Mas, de qualquer forma, gostaria que soubesse que eu te amo. É, amor. Sem aqueles coraçõeszinhos infantis da quarta série. Ou musiquinha bonitinha por aqui. É amor. Ponto.

Entendeu alguma coisa? Não? Ok, perfeito assim. Se você entendesse, eu ficaria triste por ter conseguido explicar algo sem explicação. E é isso: de onde eu vim, sentimentos são inexplicáveis, mas explicam todo o resto. Amor é um sem sentido sentir e dar sentido a tudo. E este tudo, agora, é você. 

Toda vez que eu falo contigo




Toda vez que falo contigo, um filme passa na minha cabeça. Engraçado como 

que o passado, presente e o futuro se confundem em mim nessa hora. Confesso que, 

em determinadas circunstâncias, perco totalmente o foco. Fico com o pensamento, 

mas viajando aqui. Vou de encontro a garota dentro de mim que lia minhas poesias 

pra te ver sorrir e, de repente, estou com alguém que não conheço, mas  que o sorriso

é exatamente igual ao seu.

São tantos flashes que o momento presente some. Estranho, né? E num 

furacão de emoções logo estou de volta aos teus braços, preso pelos seus dedos e

com meus cabelos caindo no meu rosto, confundindo o teu gosto de laranja com o

perfume que passou de manhã, mas que ainda não saiu. Meu olfato e paladar se

perdem. Apenas atestam que estou sentindo você. 

Admito que abro o olho em certos momentos. Pode ser um tipo de reflexo pra 

ver se você ainda está ali ou se é uma miragem produzida por algum efeito que o 

gostar e o querer fazem com meu cérebro. E acordo querendo ter vivido esse sonho. 

Lembro uma vez de sonhar contigo e acordar com raiva por estar sozinha. Minha cama

tão grande, teu lugar esperando e um sonho pra me atazanar as ideias.

Como dormir depois disso?

Toda vez que falo contigo eu deixo crescer em mim o gostar. Não crio expectativa de

nada, mas não consigo frear essa necessidade de estar contigo a cada dia. 

Já não sei não estar com você. 

Ser seu amiga? Ok, sou faz tempo e tento sempre te mostrar que hoje ainda o 

sou, mas também estou sendo mais que isso. Estou sendo sua companheira... Não 

aquela que diz oque você gostaria de ouvir e sim aquela que fala as verdades, mesmo 

que doa um pouco... aquela sincera que te ama. Só você não vê.

Estarei sempre contigo! 

Nyann